Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Call Girls

Estou abismado. Nunca mais olharei garotas universitárias (das que pagam mais que 800 reais por mês) com outros olhos. Neste momento, minha perplexidade é confundida com meu desejo. O lamento, pela falta de dinheiro, com o inconformismo. E, minha ignorância, com a noção de saber, que acabou de ser desmoronada.

Todas putas, inteirinhas para você. De 18 a 25 anos, a maioria. As mais bem dotadas. Utilizando o melhor instrumento que a natureza pode dar para gerar, por que não?, dinheiro, e muito luxo. Uma lá lembra, de rosto, minha irmã. Puta. Putas. Tento mudar minha percepção. Algumas são filhas de papai. Teriam tudo. Mas são putas. Das mais desejadas. Das mais caras. E ainda escolhem a dedo seus acompanhantes. Elas podem. Quem sabe eu já não tenha me apaixonado por uma, em seu período de folga? - Será mesmo isso, como dizemos, falta de honra? Ao contrário, não seria a mais pura afirmação da hipocrisia, com saber, esfregar a boceta no bolo de oncinha, empatando o moralidade que nós, do lado de fora, respiramos? O dinheiro, material, e ela, cedendo seu corpo - e nada mais material que o corpo -, numa batalha sexual, e são elas as únicas vitoriosas da sociedade, que, na contramão de todos, ganham, para ter prazer. Ainda por cima, belas, todas elas.

Pergunto. O que eu faria se minha filha fosse puta? Como impedir-lhe-ia? Teria eu este direito? Será que todos os pais das patrícias erraram, dentro do lar? Imagine a cena: você. Em seus quarenta e tantos anos, saudável, seja homem ou mulher, bem sucedido, coloca a filha nos melhores colégios, paga viagens, dá as devidas broncas e, um dia, descobre que ela, num ato caridário, deu um descontinho de tabela para seu irmão mais novo, o tio dela. Ou, tentando eliminar, por ora, este machismo resquicioso que ainda nos resta - e quanto nos resta! - que tal você, mãe moderna, que cuida de seus filhos sozinha, orgulha-se de cuidar da casa sem ajuda de pensão alguma, e pega, sem querer querendo, na secretária de seu filho, recém maior de idade, um recado "Oi, adorei ontem à noite, depois eu te apresento minha irmã, podemos te pegar juntas, que tal, você aceita por 300? Se quiser, como pagamento, tenho pó... Dá um desconto de família, vai...".
Por que sinto culpa? Por que sinto vergonha? Por que sinto ódio? Por que não consigo odiá-las? Por que nós temos asco, mas ao mesmo tempo fogo, por tudo aquilo que nos lembra que a vida é nascimento, sexo e morte? Cuidado. Seus filhos podem ser os próximos Felipe e Liana, os jovens apaixonados que morreram por uma mentira.

Sexo e morte.

Jovens classe AB. Por que falar tanto só deles? Há muito mais baratas. Não só mulheres. Pegue aquele jornal que você geralmente lê só o horóscopo, o Metrô News, ou o jornal local. Em "Acompanhantes", chequei, há garotas que cobram 10 reais por 10 minutos, ou até a primeira gozada. Amigos, não sintam nojo. É apenas a queda da cortina. Uma delas, Yasmim, atende na Vl. Madalena (subentenda: bairro caro, alguns pontos bem nobres) no período das 10 às 17. Coincide muito com o horário que o chefe da casa deve trabalhar. Mas deixemos as divagações de lado. Vejam só, e nos bailes funk, já não raro longe das periferias (sim, elas existem!), a nova onda agora é o ritmo da sábia cantora que, numa feliz tentativa de resumir a que se limita um dos pilares humanos - e vejam, amigos, quão eficiente ela é, conseguindo o feito com apenas 3 palavras - faz centenas de jovens, de 14 a 30 anos, ferverem, ao som de "Pau na buceta buceta no pau" (o verso é repetido 4 vezes, por refrão). Até o Serginho aplaudiu.
Até eu, que já abandonei a religião, me sinto confuso. Eu deveria seguir os passos de Jesus Cristo. Até ele amou as prostitutas. Mas não. Diante de uma "acompanhante" eu pasmo. Pasmo, pela beleza, pela curviliniedade, e, pasmo, também, por ter que encarar um possível futuro que enfrentarei, talvez não como pagante, mas como flragrante.

Às prostitutas, às gerenciadoras de negócioas, às santas expeditas dos feios ricos, e algumas dos feios pobres, às escapadas que os homens têm como alternativa para as fantasias negadas e, principalmente, àquelas que detém, até hoje, de uma das maiores polêmicas da humanidade. Um brinde às putas.

Escrito por Claucio A. N. Oliveira.

Previamente publicado ali.

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Terça-feira, 10 de Junho de 2008

luaassassina

A minha vião do Eclipse Total da Lua, no dia 21 de março de 2008, previamente publicada ali.

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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Memórias

Neste blog vou publicar aquilo que, para mim, é o mais interessante que escrevi na blogosfera/net nestes últimos 4 anos e meio.

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